Evolução dos captadores - parte 2
Até a década
de 50, o
grande problema dos captadores era o humming, que atrapalhava muito
nas gravações e apresentações, principalmente quando o instrumento
estava ligado em volume elevado. Em 1955, os engenheiros Seth
Lover e Walt Fuller desenvolveram para a Gibson um captador com duas
bobinas, que quando ligadas em paralelo ou defasadas cancelavam o
humming. Esse captador é o lendário P90.
Curiosidade: apesar do humbucker ter sido inventado em 1955, somente
em 1959 que sua patente foi homologada. Durante este período, a
Gibson colava um adesivo com a inscrição "Patent Aplied For" embaixo
dos captadores, o que gerou a famosa sigla P.A.F, hoje comumente
encontrada em captadores similares ao P90.
Em 1994, a Seymour Duncan lançou o captador "Seth Lover SH-55", uma
réplica perfeita do captador original de Seth Lover (foto 1).

Em 1960, Leo Fender lançou um contrabaixo que até hoje é atual: o Jazz Bass. Além de contar com um braço mais fino do que o Precision Bass e um corpo mais ergonômico, o Jazz Bass possibilitava uma gama muito maior de timbres devido ao fato de ter dois captadores, originalmente com controles de volume e tone individuais para cada captador. Em 1964, o Jazz Bass já contava com volumes individuais dos captadores e um tone master (foto 2).

Opções elétricas atuais
Atualmente, os luthiers e fabricantes estão mais bem preparados e uma gama imensa de opções elétricas existem. Pretendo dar uma explicação simples para que tudo isso não se torne muito confuso, ok?
Captadores Single Coil, Humbuckers e Quadbucks
-Os
captadores single coil são os mais simples, com apenas uma bobina.
Possuem um som doce, definido e agudo.
-Os captadores humbuckers possuem duas bobinas, que normalmente
possibilitam diversas ligações. Possuem um som mais grave e
encorpado.
-Os captadores Quadbucks funcionam como dois humbucker juntos.
Possuem quatro bobinas, possibilitando uma gama enorme de
possibilidades. Possuem um som extremamente encorpado, com volume
elevado.

Captadores eletromagnéticos, piezoelétricos e MIDIs
-Apesar de também existirem para instrumentos acústicos, os captadores eletromagnéticos são os mais comuns em instrumentos
de corpo sólido. Quando a corda é tocada, ela vibra e altera em
determinada frequência o campo magnético do captador, gerando o
sinal.
-Os piezoelétricos são comumente achados em instrumentos acústicos.
Quando a corda é tocada, ela pressiona o captador, que através do
fenômeno piezoelétrico, emite o sinal. Atualmente, também existem
opções de pontes piezoelétricas para instrumentos sólidos e
semiacústicos, que geram um som alternativo ao dos captadores
magnéticos.
-Os captadores MIDIs captam o som de forma eletromagnética ou
piezoelétrica, porém mandam o sinal para um processador MIDI,
possibilitando que uma guitarra soe como um violino ou uma flauta,
por exemplo.

Captadores e sistemas elétricos ativos e
passivos
-Captadores passivos utilizam a energia proveniente do amplificador
para gerar o sinal. São os modelos mais simples e que reproduzem
mais fielmente o som original do instrumento.
-Captadores ativos usam uma fonte de energia auxiliar (normalmente
uma bateria 9v) para aumentar a capacidade de captação. Normalmente
têm volume mais elevado e som mais definido do que os passivos.
-Os sistemas passivos utilizam a energia do amplificador para
processar o sinal. Possibilitam poucas opções de timbre, e
normalmente oferecem controles de volume, balance e tone.
-Os sistemas ativos usam uma fonte de energia auxiliar (9v ou 18v)
para processar o sinal. Estes sistemas possibilitam, além das opções
dos sistemas passivos, outras variações. Normalmente estes sistemas
vem com equalizadores, mas podem também conter boosts, filtros e
efeitos, tais como distorções, reverbs, chorus, etc.
É possível achar qualquer combinação entre sistemas e captadores ativos e passivos, mas os mais comuns são captadores passivos com sistemas passivos e captadores passivos com sistemas ativos.
Ligação
em série, paralela, defasada e cancelamento de bobinas
A
diferença destes tipos de ligação são a forma que a energia elétrica
passa pelas bobinas dos captadores.
-Na
ligação em série, a energia passa por uma bobina e depois vai para a
outra. Esta ligação é a mais comum em captadores humbuckers,
pois realça o volume, corpo e graves do instrumento.
-Na ligação paralela, a energia entra e sai ao mesmo tempo das
bobinas. Esta ligação propicia uma maior definição e um timbre com
mais médios. É a ligação padrão quando dois captadores single coils
estão ligados.
-Na ligação defasada, a energia elétrica flui em sentido contrário ao
original que foi estipulado pelo fabricante. Esta ligação gera um
som magro e agudo; apesar de ser incomum e difícil de ser usada,
alguns músicos de pop usam essa ligação em single coils para obterem
timbres diferenciados.
-No cancelamento de bobinas (coil split), uma das bobinas do
humbucker é desligada, gerando um som próximo ao de captadores
single coil. O timbre resultante não é perfeito, mas é bem útil para
músicos que possuem apenas um instrumento ou não tem condição de
transportar diversos instrumentos.

Qualquer dúvida, basta entrar em contato, ok?
