Evolução dos captadores
Depois da invenção dos captadores, o mundo musical mudou, novas perspectivas se abriram e uma revolução teve início. Se pensarmos que os instrumentos musicais do começo do século passado pouco diferiam dos do século XVIII, é perceptível a mudança drástica que isso causou na luthieria. Hoje em dia é comum levarmos em conta os captadores na hora de comprar um instrumento musical e nem cogitarmos a possibilidade de perguntar qual a madeira que foi usada para construí-lo. Aqui pretendo falar um pouco sobre este assunto, envolvendo um pouco da história da luthieria e explicando como funcionam os captadores e o que levou a que estes fossem inventados.
Pesquisadores concordam que o violão (que deu origem à guitarra e ao contrabaixo elétrico) deriva do alaúde (foto 1), um instrumento similar ao violão, porém com fundo côncavo.

Ao longo dos séculos, o fundo se tornou reto, mas cada luthier fabricava seus violões com medidas, formatos e sonoridades diferentes, até que em 1850 o luthier espanhol Antonio Torres produziu um instrumento com uma projeção e qualidade sonoras superiores. Existem linhas de pesquisa que indicam que o modelo Torres (foto 2) teve seu desenho baseado na proporção áurea, assim como o italiano Antonio Stradivari projetou os reconhecidos violinos Stradivarius por volta de 1700.

O violonista espanhol Francisco Tarrega foi um célebre usuário de um Torres, marcando um marco na história com este violão, e até hoje o desenho de Torres é usado na grande maioria dos violões.
Até o começo do século XX, qualquer instrumento tinha que produzir seu som de forma puramente acústica, e isso criava alguns problemas: para que violões pudessem ser ouvidos em ambientes amplos era necessário que este mesmo ambiente fosse projetado para projetar e realçar seu som. Além de enfrentar este mesmo problema, o único tipo de contrabaixo disponível era o acústico vertical (foto 3); este instrumento é grande, com pouco volume e sustain.

Voltando
para 1880, os irmãos franceses Pierre e Jacques Curie descobriram o
fenômeno piezoelétrico, que consiste na propriedade de certos
cristais, como o quartzo, topázio e turmalina tem de emitir
eletricidade quando sofrem a ação de cargas mecânicas, ou de se
deformarem quando submetidos a eletricidade. Além da invenção
posterior do relógio de quartzo, essa descoberta possibilitou a
invenção do captador piezoelétrico.
A idéia era simples: quando ouvesse vibração provocada pelos dedos
do músico nas cordas, o cristal produziria a tensão elétrica que
seria transmitida até o amplificador, que seria o encarregado de
aumentar o volume do instrumento.
Essa invenção revolucionou gradativamente os instrumentos musicais; a projeção acústica do instrumento musical não era mais tão importante, e o tamanho dos instrumentos foi sendo reduzido. Em 1931 foi produzida a Rickenbacker Electro Spanish (foto 4 - me desculpem, não consegui nenhuma foto maior), primeira guitarra com captação piezoelétrica. O contrabaixo acústico foi renovado, e em pouco tempo ele foi evoluindo até os contrabaixos upright (foto 5) que temos hoje em dia.


As guitarras ainda eram construídas levando em conta a estrutura acústica, pois a qualidade da vibração do instrumento era determinante na tensão elétrica, até que em 1946 Leo Fender lançou a Broadcaster, e em 1948, após algumas melhorias, a Telecaster foi lançada (foto 6). Os captadores eletromagnéticos não precisavam mais de nenhuma estrutura acústica do instrumento, e um corpo sólido foi construído.

Em 1953, o Precision Bass (foto 7) foi lançado e é o primeiro contrabaixo de corpo sólido fabricado em larga escala, finalmente resolvendo o problema do excesso de tamanho e peso dos contrabaixos. Reparem que ele ainda é muito similar a uma Telecaster.

Em 1954, Leo Fender lança a Stratocaster (foto 8), solucionando vários problemas da Telecaster, tais como a estética do headstock que era motivo de piada entre os músicos da época. A Stratocaster tinha um som mais grave que a Telecaster - outra reclamação - e além disso, nas posições 2 e 4 da seleção de captadores o humming era cancelado, possibilitando uma qualidade e limpeza até então inigualáveis de som.

No próximo post, irei falar sobre os captadores humbuckers, o contrabaixo Jazz Bass, captadores MIDIs, ligações seriais e paralelas, além de circuitos e captadores ativos e passivos.
Qualquer dúvida, elogio ou crítica entrem em contato, ok?
